Informações:Título: Jane Eyre
Autora: Charlotte Brontë
Editora: Edições BestBolso
Número de páginas: 528
Comentários:
Eu já tinha tido ótimas referências de Jane Eyre (mamys e Cíntia), mas o livro ficava na prateleira superior da estante e, como não vejo comentários sobre ele, como vejo dos livros lançados há pouco tempo, ele ficava esquecido.
Então, ele foi escolhido como o livro de maio do Clube das Chocólatras. Em meio a minha confusão de Leo's (AQUI e AQUI), fiquei com medo de não conseguir terminá-lo a tempo, principalmente por ser um clássico. Eu não costumo ler clássicos numa tacada só, mesmo porque eu nem leio tantos clássicos assim. Mas como não se empolgar com este romance maravilhoso?
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Jane Eyre, não tinha 10 anos, mas já passava por sofrimentos de gente grande. Órfã, ela foi morar na casa do tio, o Sr. Reed, que não tardou muito, faleceu.
Assim, a garota passou aos cuidados da Sra. Reed, em Gateshead, que mesmo prometendo ao marido em seu leito de morte que cuidaria bem daquela criança, não o fez. Além do desprezo da tia, Jane era mal-tratada pelos primos, principalmente John Reed, que sempre batia nela, fora fazer com que a mãe acreditasse que tudo de ruim que lhe acontecesse era por causa da garota.
Mas ao contrário do que era de se esperar, Jane encontrou na língua o próprio escudo. Ela falava o que pensava e isso rendeu a ela uma vaga em instituição de caridade, onde estudou e se tornou professora. Durante este tempo, Jane nunca foi visitada, não reviu os familiares, mas apesar de toda a rigidez da escola, pode-se dizer que ela foi feliz ali. A jovem aprendeu várias lições e se refinou, apesar de nunca chamar a atenção por ser considerada feia.
E ela não quis se acomodar. Sozinha, se candidatou e foi aprovada com preceptora de uma jovem francesa em Thornfield, a vários quilômetros da instituição. Assim que possível, Jane se mudou para aquela mansão obscura, e não tardou a, devido um acidente, conhecer o dono da casa, um homem de temperamento forte, vigoroso, 20 anos mais velho, carismático e feio, o Sr. Rochester.
Jane era empregada, Sr. Rochester era o patrão. Donos de duas línguas afiadas (que naquele tempo não se conheciam tão facilmente como hoje - a modernidade me assusta), surge a admiração, e dela, algo mais. E o que aconteceu com os dois descubra em Jane Eyre.
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Mistério, amor, paixão, dor, desilusão, tristeza, devoção, amargura, melancolia e esperança são apenas algumas coisas que encontrei neste livro maravilhoso.
Quando se pensa em clássico, se imagina uma linguagem mais rebuscada, mais enfadonha, mas isto não encontrei em Jane Eyre. Fico pensando se foi a forma como a autora escreveu, ou se foi um dedo do tradutor, mas a história é facílima de ler, e reler, e rereler, porque é isto que futuramente vai acontecer.
Eu não estudei livros clássicos ou nada do gênero, então posso vir a falar uma grande bobagem, apesar de ser aquilo que eu senti. Mesmo a Charlotte dando pitacos e criticando Jane Austen (Obrigada pelo texto Felipe), eu senti a narrativa dela mais próxima à desta outra autora, do que da irmã (apesar de, assim como o livro da Emily, apresentar algumas passagens nebulosas). Charlotte criou uma protagonista forte, assim como Liz Bennet de O&P. A fato das duas gostarem de homens arrogantes, a uniram ainda mais aos meus olhos.
Eu simplesmente odeio quando não consigo terminar de ler o livro na sexta-feira, porque raramente eu o leio no fim de semana. Na sexta à noite eu estava em um ponto muito crítico do livro SPOILER: Jane ficaria com o St. John - primo missionário dela, que não inseri na resenha para não revelar muito da história - e iria para a Índia? E o que teria acontecia ao Sr. Rochester após a fuga da Jane? FIM, e atormentei minha mãe horrores a cerca das minhas divagações (sem pedir spoiler, claro!). E quando tive que sair sábado de manhã e deixei 10 páginas para ler domingo à noite? Quase morri de agonia, porque este é um romance do quem você quer e PRECISA do fim para suspirar!
Só tenho uma única crítica. Faltando 1/3 para o final, achei que a história teve uma quebra no ritmo, tive vontade de pular algumas partes. Mas fico em dúvida se senti isso, pois: 1) elas eram realmente chatas ou 2) eu queria saber da conclusão logo. SPOILER: Partes do St. John pé-no-saco-missionário.
Uma pitada de religião e de fé, e outra dose cavalar de moralidade permeiam a história. SPOILER e REFLEXÃO: Se você amasse um homem, se ele também te amasse e vivesse por você, mas tivesse sido obrigado pelo pai a se casar com uma mulher que se revelou doida de pedra e psicótica assassina, o que você faria? Isto contando que ninguém sabia da existência da louca e se você não tivesse nem amigos ou familiares para dar satisfação da vida. Você viveria este amor ou fugiria? FIM Pensei, pensei e pensei sobre isto e a resposta é: eu não sei!
Existem inúmeros filmes e seriados baseados neste livro. O filme mais recente saiu ano passado (e pra variar ainda não vi), mas meu produto muito cobiçado está sendo a série da BBC. Mês que vem, se o casamento permitir, eu compro!
O que eu sei é que quem ainda não leu, deve dar uma chance a este livro amado e favoritado! É mais um clássico inglês que, ao lado de Orgulho & Preconceito, tem uma cadeira cativa no meu coração.
Curiosidades:
- A instituição de caridade Lowood, onde Jane Eyre estudou, foi inspirada na escola que Charlotte frequentou (Coitada!).
- Charlotte se apaixonou por um homem casado SPOILER: Pode ser daí a ideia do Sr. Rochester ser casado com uma doida.
- A autora se inspirou no marido para compor personagens como Rochester e St. John (segundo intelectuais).
- Tadinha, morreu grávida.

