quinta-feira, 30 de setembro de 2010

‘Perdoa-me pai, eu comprei’ – Setembro

Postado por Luciana Mara às 23:59:00 18 comentários Links para esta postagem
 
"Estou muito solitária agora, Giles ainda está bravo comigo por seus molares perdidos, embora fossem apenas dentes de leite que logo cairiam de qualquer forma. Ele protestou porque..."*

Era o que eu lia quando ele chegou. Escondi o livro entre mim e o divã.
Minha primeira consulta com o Sr. P. (cuidado pensadores de besteiras).
Ele estava 6 min e... 47 segundos atrasado.
- Bom dia!
- Bom dia! - eu disse - O Sr. atrasou 6 min e 47 seg.
- Podemos compensar este tempo no final da consulta.
- Você podia descontar o equivalente ao tempo perdido no preço da consulta? Adoro descontos!
- Se assim preferir... - disse ele com a cara bem fechada.

Com certeza ele acha que vai tratar de uma paciente com um caso muito sério e grave. Sem exageros. Detesto exageros. Sou uma pessoa muito contida, principalmente no que diz respeito a $. Exceto quando se trata de bolsas. E DVD’s. E livros. E é infelizmente este motivo que me trouxe aqui.

- Bom... Como você está?
- Bem, obrigada. – Respondi. Minha mãe me deu educação e não é só porque eu estou pagando para ele me escutar que eu vou deixar de saber como ele está - E você?
- Estou bem também. Bom... O que está te incomodando?
- Nada, a não ser o fato de que o Sr. fala ‘bom’ demais para o meu gosto. – Tudo bem que não falei tudo, só pensei. Parei no ‘Nada.’ mesmo.
- Bom... Então, qual é o motivo do nosso encontro?
- Vim porque meu pai insistiu. Ele disse que só faria minha estante para DVD’s se eu viesse a uma consulta. Estou precisando esvaziar uma prateleira para colocar mais livros.
- E por que seu pai queria que viesse?
- Ele disse que eu sou compradora compulsiva.
- E você é?
Acho que este é o momento ideal para começar a mascar um chiclete e pego um dentro da minha bolsa vermelha de cetim (nada) discretíssima da Pucca. Mudar de assunto cairia muito bem.
- Você aceita um Trident? Estou viciada neste de... Espera um pouco. Han... Eu estou gostando muito desse Trident preto, o Fresh Intense. – Acho que viciada não é uma boa palavra para ser usada com o Sr. P.
- Você compra muito? – Ele pergunta.
- Sim, sim, no mínimo dois pacotes por semana. Você tem certeza que não quer? Ele tem gosto de Vick. Não que eu tenha comido! Mas imagino que tenha esse gosto. Tenho que ir e voltar mascando chiclete, porque quando leio ranjo os dentes. Acho que estou com bruxismo. Ai... Tenho que falar sobre isso é com o dentista. Odeio dentista! Odeio médico! Não é nada pessoal. Tenho Trident de outro sabor, aceita?
- Não, obrigado. Mas na verdade estou falando de livros, querida. Você compra muito?
- Han?
- Você compra muitos livros?
- Não.
- Não?
- Não!

Juro que nesta hora, se meus olhos soltassem lasers seria o momento do Sr. P ter ficado duro. Morto. Mortinho da Silva Sauro.

- Quantos livros você comprou esse mês?
- Menos que o mês passado. – Este é um bom momento para avaliar minha cutícula.
- Menos quanto?
- Menos que agosto. Dá uma olhada no ‘Perdoa-me pai, eu comprei’ do mês passado e vai dar para saber o quanto menos. – Juro que queria fugir dali.
- Vamos falar em números para ficar mais claro.
- Tudo bem, então. Comprei 10% a menos. Olha que evolução! Deixa eu te mostrar meu orgulho. Tenho até uma foto aqui que tirei dos meus novos bebês, ops..., livros. Desculpe.

 Os Arquivos do Semideus - Rick Riordan
Diários do Vampiro 4 - L. J. Smith
A Ilha Sob o Mar - Isabel Allende
Menina de Vinte - Sophie Kinsella
Lembra de Mim - Sophie Kinsella
Sorte ou Azar - Meg Cabot
Amante desperto - L. R. Ward
Beautiful Dead - Eden Maguire
Fallen - Lauren Kate

E foi ai que eu errei.
Ele avaliou e vi que estava contando a pequena montanha.

- Nove???
- Só nove. Menos do que no mês passado. Mas comprei alguns DVD’s também.
- E destes quantos você já leu?
- Hum... Deixe-me ver meus bebês de novo – Ele me entrega o celular. – Dois e meio, sendo que um eu já tinha lido em e-book há algum tempo.
- Então porque você comprou?
- Eu gosto de comprar. – Ai... outra frase errada.

- Quantos livros você têm na fila para serem lidos?
- Tenho a minha idade de livros na fila. – Nunca pensei que o fato de eu ter cara de mais nova do que eu realmente sou poderia me ajudar em alguma coisa.
Sr. P. saiu e foi até sua mesa.
- 24?
- Que emoção! Primeira pessoa que acerta da minha idade. Jura que eu tenho cara de 24?
- Não, você parece mais nova que isso, mas na sua ficha tem sua data de nascimento. Só fiz as contas.

Estou pagando para o cara me ferrar. Eu podia muito bem pegar o dinheiro da consulta e investir em cultura (na minha concepção, vampiros, anjos e romances melosos são cultura). Espero só ter pensado nisso e não falado alto. Pelo menos consegui segurar minha língua e não contar que já comprei 4 livros em outubro. É apenas um detalhe estarmos no último dia de setembro. Não me peça para explicar meu calendário.

- Sr. P., peço licença para eu ir ao banheiro.
Foi a melhor desculpa que arrumei. Agarro o livro nas minhas costas e vou ao banheiro. Nada melhor do que simular um piriri. Passei meu tempo lendo.

“...só podia comer sopa, o que, é claro, passou subitamente a odiar, e quando terminou de me culpar...*

Meu celular vibrou. Mensagem.

‘Lu, 20% d progressivo. Quer o IAN4, HoN6 ou FMF3? Responde agora pq vou fechar. Bjo’.

‘Quero os 3! Me dá um tok se receber esta msg p/ eu ter certeza que vc vai comprar’.

É por isso que eu amo meus monstrinhos. Sempre eficientes.

Volto para a sala.
- Desculpe a demora. Acho que alguma coisa que comi não me fez bem.
- Tudo bem, nossa hora já terminou mesmo. Passe na secretária para ela te devolver os 6 minutos e 47 segundos de atraso. Nos veremos em breve. Tente se controlar, ok?! Se sentir vontade de comprar respire fundo e pense numa luz amarela.
- Ok! Muito obrigada pela... Desculpe meu telefone tocou. – Olho o visor. Mensagem recebida, compra realizada, toque de confirmação. Abro o sorrisão – Han... Já desligaram. Nos vemos por ai.

Saí e vi uma luz amarela. Mas era apenas o sol. Nada de pensamentos voltados para a contenção de gastos. Cumpri minha parte do acordo. Era comparecer a uma consulta. Só espero que minhas prateleiras, ao contrário da minha estante, não nasçam prematuras de gestação de mulheres (7 meses, dá para acreditar?). Podia muito bem ser uma gestação de coelha, não é? Está me lendo pai?

*Trechos de 'A menina que não sabia ler' de John Harding.

sábado, 25 de setembro de 2010

#23: Lembra de Mim? (Sophie Kinsella)

Postado por Luciana Mara às 14:56:00 7 comentários Links para esta postagem
Sinopse: Lexi desperta em um leito de hospital após um acidente de carro, pensando que está em 2004, que tem 25 anos, uma aparência desleixada e um namoro desastroso. Mas, para sua surpresa, ela descobre que está em 2007, tem 28 anos, é chefe de seu departamento e sua aparência está impecável. E ainda é casada com um lindo milionário! Ela não pode acreditar na sorte que teve. Mas conforme ela descobre mais sobre a nova Lexi, nota problemas graves em sua vida perfeita. E, para completar, uma revelação bombástica pode ser sua única esperança de recuperar a memória.

Comentários: Por mim, a Sophie Kinsella (junto à minha diva, salve e salve Marian Keyes) poderia escrever até a mão cair. Amo chick-lit! Adoro rir sozinha lendo os livros tidos como ‘de mulherzinhas’, amo os romances, as cenas de bebedeiras, as reviravoltas na história. Amo histórias leves que tem por puro objetivo distrair (se bem que sempre dá para tirar uma ou outra liçãozinha para a vida).

Vamos à história. Imagine a situação: você tem 25 anos, está saindo de uma noitada com as amigas em que, a maior parte do tempo, passou p. da vida porque não recebeu o bônus da empresa (não trabalhou o ano inteiro lá, faltou uma semana, uma semana!!! Dá para acreditar?). Está esperando um táxi debaixo de uma chuva torrencial, seu namorado acabou de te dar um bolo e amanhã é o enterro do seu pai. Você tropeça, cai e apaga.

Acorda em um hospital. Assustada, você vai até um espelho e descobre que seus dentes estão perfeitos (seu apelido era Dente Torto, como isso pode ter acontecido?) e seus cabelos luminosos. Você está desorientada e um neurologista te atende. “Quanto tempo eu estou no hospital? Perdi o enterro do meu pai?”. Ele diz que você teve um acidente de carro (“Eu não tropecei?”), bateu sua Mercedes (“Eu não sei nem dirigir, como tenho uma Mercedes?”), mas que já vai receber alta. Ele te pergunta o ano. Você responde. Ele nega. “Meu Deus, passei três anos em coma?”, “Para tudo! Eu tenho 28 anos!”, “Ai... rugas!!!”.  Ele nega novamente. “Como assim estou com amnésia?”. Sim, você esqueceu três anos da sua vida. Neste período já saiu HP6, o último está para lançar e você jura que lia assim que saía. Seu mundo acabou! Brad Pitt trocou Jennifer Aniston por Angelina Jolie. Mas tem uma notícia boa. Você que vivia de liquidação, agora tem uma bolsa Louis Vuitton.

Você abre a bolsa e vê uma aliança. Para tudo (de novo)! “Aliança?”. Sim, você está casada. “Casei com o FDP que me deu bolo?”.  Sua mãe vai te visitar. Ela nunca foi muito aberta, só liga para seus cachorros, apenas diz que Amy, sua irmãzinha que ainda brincava de bonecas até o momento que você lembrava, e Eric estão chegando. “Eric?”. Sim, Eric, seu marido! “Só falta ele ser feio e barrigudo!”, você pensa.

Uma adolescente chega. É sua irmã. “Como ela pode ter crescido tanto?” Ela é louca e te prega muitas peças. Então seu marido chega. Hum... inspira, expira, inspira, expira. “Ele é um gato! Como posso ser casada com um cara assim e não lembrar”. E, além disso, ele é um fofo com você. 

Sua família leva fotos, DVDs, mas nada te ajuda a resgatar aquelas lembranças. Você recebe alta. Decide que vai voltar com seu, han... marido, para viver sua rotina esperando que aquela lacuna em sua vida seja preenchida.

Resumindo: Você tinha 25 anos, um corpo mais ou menos, dente torto, não recebeu o bônus da sua empresa e acabou de levar um bolo do namorado. Agora tem 28 anos, mas com dentes lindos, cabelos luminosos e um corpo escultural, um marido perfeito (e rico), mora em um loft maravilhoso e é a chefe do departamento em que você trabalhava. Vida perfeita. Até eu queria sofrer um acidente assim.

Você decide retomar sua vida. Descobre que suas amigas te odeiam e agora você tem uma outra melhor amiga (mas que você nunca viu na vida, pelo menos na sua nova vida). Você é chefe do seu ex-chefe, mas não sabe nada sobre seu trabalho. Seu marido te toca e você não sente nada. Na sua garagem, enquanto estaciona o carro (que você não sabe dirigir) conhece um cara que, após descobrir que você não se lembra dos últimos três anos, diz ser seu amante. E o pior, ele trabalha para seu marido. O que fazer? O que você se pergunta é: “Quem eu sou?”.

Juro que me coloquei no lugar de Lexi e fiquei desesperada. Não conhecer o marido, ser a chefe do departamento e não saber como conseguiu uma ascensão tão rápida na carreira e tão pouco como era seu trabalho, ser classificada por suas ‘ex-amigas’ como vaca-chefe-do-inferno, ser perseguida por um cara que diz ser seu amante e não lembrar se nada disso não deve ser nada fácil.  E ainda enfrentar um Mont Blanc!!! (Só lendo o livro para entender a piada - rs).

Será possível montar o quebra-cabeça da vida de Lexi mesmo com as peças que estão faltando? E qual é o lado certo das peças? Para descobrir, só lendo ‘Lembra de Mim?’, porque eu não vou estragar as surpresas =).

E uma coisa. A capa é totalmente relacionada a uma parte fofíssima do livro. Vasos e vasos de Margaridas, plantadas em diversos momentos.

Críticas? Só posso dizer que faltou um pouquinho de romance. A Sophie sempre coloca bastante romance em suas histórias e em ‘Lembra de Mim?’ este quesito ficou um pouco a desejar, e por isso que tirei uma estrela =/

Mas... Recomendo!
 


Onde comprar: Americanas, Submarino, Saraiva

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

#22: Amante Desperto (J. R. Ward)

Postado por Luciana Mara às 11:27:00 5 comentários Links para esta postagem
Sinopse: Nas sombras da noite em Caldwell, Nova York, desenrola-se uma sórdida e cruel guerra entre vampiros e seus carrascos. Há uma irmandade secreta, sem igual, formada por seis vampiros defensores de sua raça. Dentre eles, Zsadist é o membro mais assustador da Irmandade da Adaga Negra. Tendo sido por muito tempo um escravo de sangue, Zsadist ainda carrega as cicatrizes de um passado repleto de sofrimento e humilhação. Conhecido por uma fúria que não acaba e por atos sinistros, ele é um selvagem, temido igualmente por humanos e vampiros. A raiva é sua única companheira e o terror, sua única paixão... Até que resgata uma bela vampira das garras da maligna Sociedade Redutora. Bella sente-se imediatamente enfeitiçada pela ardente força que emana de Zsadist. Entretanto, mesmo quando o desejo de ambos começa a consumi-los, a sede de vingança de Zsadist contra os torturadores de Bella o leva à beira da loucura. Agora, Bella deve ajudar seu amante a superar as feridas de seu atormentado passado e vislumbrar um futuro ao lado dela...

Comentários: Amante Desperto passou na frente de vários outros livros na lista das minhas futuras leituras e na lista de livros a serem comentados. Mas, mais do que pela curiosidade, passei na frente dos outros por pressão. Nunca comecei a ler um livro sobre tanta pressão na minha vida. Olhava para o lado e lá estava a minha irmã me mandando voltar a ler, tamanho era o desespero dela de ler sobre o Z. também (mas já falei com ela para tirar o olho dele – rs). Mas bastou o incentivo inicial para eu não largar mais o livro. Li em um fim de semana, na verdade devorei e estou com indigestão até agora. Sei disso porque não consegui tirar a história da cabeça (meu novo critério para classificar os livros com 5 estrelas é este, a história dominar a minha mente).

O terceiro livro da saga conta a história de Zsadist, o irmão mais casca dura e fechadão da Irmandade da Adaga Negra, e de Bella, a vampira sequestrada no final de Amante Eterno.

Z. está desesperado. Mesmo após seis semanas de desaparecimento ele não aceita que Bella esteja morta e continua procurando-a. E eu fiquei louca junto com ele. Esperava que ele a encontrasse logo e o romance começasse rápido. A espera só foi menor do que a do retorno do Edward em Lua Nova.

Bella estava sob poder do Sr. O, um redutor que a toma como esposa. E só contando os fins, mas não os meios para não soltar spoilers demais, os irmãos surgem para libertá-la. Z. se arrisca, mas a resgata. Ela estava toda machucada. Seus olhos estavam... Sinto uma sensação ruim só de lembrar (irgh...).

Ele a leva para casa e cuida dela (a cena da banheira foi ótima!). Não conseguindo enxergar, ela grita e acorda todos na mansão da Irmandade. Eles entram no quarto e se deparam com uma situação constrangedora. Z. está como veio ao mundo (ui) aos pés da cama. Por não confiarem nele, os irmãos acham melhor transferi-la para o quarto de hospedes perto do quarto de Phury, irmão gêmeo de Z e bem mais simpático, racional e domesticado (detalhe: desde Amante Eterno se sabe que o Phury tem uma queda pela Bella, OMG!). Mas ela não se dá por satisfeita. Escondida, volta para o quarto de Zsadist e alega que precisa dele (safadona). Mas ele não admite tocar e nem ser tocado por ninguém. Ele se sente impuro e indigno. Todas as suas lembranças o atormentam e durante o livro conhecemos toda sua história e enfim compreendemos o porquê de seu jeito carrancudo e introspectivo. Pela Virgem Escriba, quanto sofrimento e desespero! Z. foi roubado de seus pais quando bebê e tornou-se escravo de sangue de uma vampira que além de tudo abusava dele (daquele jeito mesmo que vocês estão pensando).

Assim, enquanto Bella está de quatro por Zsadist e ele por ela, ele tenta empurrá-la para o irmão dele. Impressionante como os relacionamentos podem ser complicados. Porém, eles não resistem. E aí tem aquelas cenas para maiores de 21 anos, como nos dois primeiros livros, ou seja, este também é aquele tipo de livro para ler com inclinação menor que 90 graus.

Desta forma, a história gira em torno das inúmeras declarações da Bella e das fugidas do Z., a procura desesperada do Sr. O por Bella, a caça dos redutores pelos membros da Irmandade, as viagens de Phury em meio a fumaça vermelha de seu ‘cigarro’, a introdução de novos personagens como Revh, irmão de Bella e protagonista de Amante Vingado - livro 7, e a exploração de outros já conhecidos como John (protagonista de Amante meu - livro 8). Deparei com uma morte desnecessária e morri de rir com o estado interessante pelo qual as fêmeas passam em seu período fértil e do comportamento dos machos nestes episódios (esse negócio de macho e fêmea ainda me incomoda). E para as mais românticas, há uma grande surpresa do final, que fica mais fofa ainda quando se lê o texto do Compêndio (livro lançado após o volume 6, não resisti e li esta história em e-book. Quem quiser é só pedir).

E a declaração no final? Fofíssima! Se fosse eu guardaria na minha agenda (sim, ainda guardo tudo na agenda, afinal uma tradição de 14 anos não pode terminar de uma hora para outra).

Além disso, tenho que reafirmar que adoro saber sobre os casais dos livros 1 e 2 e acompanhar a vida dos outros membros da Irmandade.

Admito que, mais do que se derreter por aquele vampiro imenso, com tatuagens em forma de algemas nos pulsos e no pescoço (que identifica seu passado obscuro), uma imensa cicatriz no rosto que deforma seus lábios (fora as várias outras nas costas), e piercings nos mamilos e orelhas (feitos por ele mesmo – e sem anestesia, claro) várias vezes me dava mesmo é vontade de pegá-lo no colo e o consolar. Definitivamente Z. é o meu irmão preferido.

E juro que continuo querendo pular aquelas partes dos redutores para chegar às partes dos irmãos mais rápido, mas respiro fundo, e não faço isso.

Agora coloquei na balança a situação de Amante Revelado, livro do Butch e da Marissa: a) ler em e-book ou b) esperar a publicação no Brasil. A opção b pesou mais. Mas já estou avisando! Dá um jeito aí Universo dos Livros, espero só até outubro! Se não sair, caio de olhos nos e-books mesmo. A pressa é inimiga da publicação!



Continuação de: Amante Sombrio, Amante Eterno.
Onde comprar: Saraiva, Submarino

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

#21: Wake (Lisa McMann)

Postado por Luciana Mara às 13:03:00 1 comentários Links para esta postagem
Sinopse: Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal. Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela - eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar. Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante...

Comentários: Inaugurando mais uma série e desta vez não é de vampiros, anjos ou imortais.  

Wake conta a história de Janie, uma adolescente determinada e esforçada que mora com a mãe (alcoólatra) e que tem o poder de entrar nos sonhos alheios. Ela sempre mergulha (e, às vezes, literalmente) nos sonhos de qualquer um ao seu redor, ao invés de ter os próprios sonhos. Vivendo na área pobre da cidade, ela compartilha seus segredos, exceto sobre seu dom, com sua vizinha/amiga Carrie que, algumas vezes, se mete em confusões. Neste meio tempo Janie (re)conhece Cabel, um garoto boa-pinta que está atraindo as atenções das meninas da escola. Apesar de seu comportamento estranho, e quando tudo parece que vai dar certo entre eles, Janie descobre que Cabel foi preso e que anda saindo com uma garota da escola. Assim, Janie passa a fugir dele, a única pessoa a quem ela teve coragem de contar todos os seus segredos. Mas ele deu um jeito muito fofo de comunicar com ela. E, a partir daí ela descobre os grandes segredos de Cabel e em todos os problemas em que ele está metido.

Acho que a autora foi inteligente em apresentar as diversas formas em que o 'dom' de Janie aparece, mas pecou em sintetizar as passagens. Na maioria das vezes, senti como se Wake fosse parte de uma outra história, ou mesmo um resumo.

Gostei da evolução do tempo e da marcação das horas nas passagens desde os primeiros episódios de manifestação do 'dom' quando Janie tinha 8 anos até os episódios atuais.

Porém acho que faltou emoção. E não digo só no sentido de romance não. Senti falta de raiva, medo, angustia e desespero. Senti como se tivesse lendo um relatório no meu trabalho. Algo puramente técnico.

Gostei do fato de que vários sonhos eram tratados como metáforas dos sentimentos e sensações das pessoas. Por exemplo, um cara de má índole no sonho era retratado como um monstro. Pelo menos comigo sempre acontece isso. Meus sonhos são loucos.

O grande objetivo de Janie, além de conseguir grana para entrar numa faculdade, é aprender a entrar e sair dos sonhos e como se portar dentro deles. E ela só consegue isso através da ajuda de outra apanhadora de sonhos, uma velha (literalmente) conhecida. Mas a dinâmica funciona mais ou menos assim:

a) Eu sempre sonho com guerras (o que poderia ser memória de outra vida, claro que se eu morasse em Mordor, na Terra Média, uma vez que há sempre orcs nas batalhas, vide Senhor dos Anéis - obrigada por refrescar minha memória Léo, por isso que eu te amo, mas não só por isso =*). Eu estaria aterrorizada e Janie estaria presenciando e sentindo meu sofrimento. Se eu pedisse ajuda ela poderia me dizer e eu acreditaria que eu era, por exemplo, filha de Ares, o Deus da Guerra (minha cabeça está recém-saída de Percy Jackson) e me sentiria confiante o suficiente para enfrentar meu desafio. Mas, caso eu não pedisse ajuda eu poderia sofrer vários ataques, morrer e acordar assustada.

b) Ou um caso ainda (muito) pior. Em meu sonho minha estante entrava em autocombustão. Eu, é claro, pediria ajuda. Janie me mostraria uma água-seca (porque o pó do extintor sujaria meus bebês e o de líquido então, nem se fala), eu apagaria o fogo e descobriria que só perdi o 1808 (na estante há mais de 2 anos e sem previsão de leitura). Se eu não pedisse ajuda meus livros se queimariam e eu acordaria com um sentimento ruim e a sensação de que, assim como a Rihanna fez com as pernas, eu deveria fazer um seguro para minha estante.

==> Ou seja, importante é o sonhador pedir ajuda.

Resumindo: o livro é bacana, a história é diferente e original, mas eu acho que poderia ter sido contada melhor. Talvez se tivesse sido escrita em 1ª pessoa poderíamos sentir e curtir mais a personagem principal. Mas como sou brasileira, e não desisto nunca, que venha Fade.

E um pensamento aleatório e importante: se todos os ensebados, excluídos e ex-traficantes um dia virassem o Cabel atual com certeza não teria tanta mulher solteira.



Onde comprar: Saraiva

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Hábitos e manias de uma leitora compulsiva

Postado por Luciana Mara às 22:31:00 15 comentários Links para esta postagem

‘Hum... respira fundo. Vamos lá garota, uma, duas três vezes. O primeiro passo em todo programa de reabilitação é admitir o vício’.
Assim, me concentro, solto o ar dos pulmões e confesso: ‘Sou uma bookaholic!’ Ufa!
Não, não... não venha com idéia errada de que eu quero me desinlivroxicar não, longe disso. Vou ficar apenas na parte de admitir meu problema. Isto é mais que o suficiente para mim. 

Assim, vamos por no papel, ops, na tela minha (longa) lista de manias livrísticas
  •  Quando abro um livro novo e lacrado, a primeira coisa que faço é dar aquela fungada. Amo cheiro de livro novo. Está no meu top five de melhores cheiros do mundo! #hábitoestranho!
  •  Leio (ou tento ler) um livro por semana.
  •  Minha fila de ‘vou ler’ tem que ter no mínimo 10 livros (#regra). Ultimamente tenho ultrapassado um pouquinho esse limite. Acho que estou com tipo han... 10? 15? Confesso 20 e poucos o.O
  •  Sinto muito, mas sou possessiva. Não consigo emprestar meus bebês. Acho que fiquei traumatizada quando ao devolverem o Senhor dos Anéis do Léo veio como ‘marcador de página’ um fandangos (isso mesmo, chips!).
  • Os meus livros ficam todos dentro de saquinhos individuais. Pelo menos ainda não cheguei ao estado mais grave, que é colocá-los enrolados em plástico filme, como algumas pessoas que eu conheço (ops... contei).
Meu teclado
  • Todos, TODOS os dias que tenho acesso ao computador (quando não estou viajando) entro religiosamente na Saraiva, Americanas e Submarino em busca de promoções. Inevitavelmente ponho no carrinho e acabo levando alguma coisa (para o horror do meu pai, apesar de ser eu mesma quem pago, vai entender).   
  • 80% da minha leitura é feita dentro do ônibus. Também, fico quase 2 horas todo dia... Pelo menos aproveito meu tempo com algo produtivo. Já cansei de ouvir as pessoas falarem que descola a retina. Han, se for, nem ligo.
  • Amo ler ouvindo música (no modo aleatório – #mania). Como leio no ônibus este é o melhor meio de manter afastadas aquelas conversinhas paralelas. 
  • Lia uns três livros de uma vez, mas parei com esta mania. Lia um em casa, um na rua e outro no pc.
  • E parei de ler e-book por que: 1) ler no pc é um saco; 2) sempre que gosto de um livro compro e se já tiver lido ele vai ficar estacionado na estante um booom tempo, várias vezes até sem abrí-lo (vide Caçador de Pipas e Cidade do Sol que li emprestado, comprei os meus e guardei). Mas... quando eu sei que vai demorar muito para lançar alguma sequência de série acabo caindo em tentação. 
  • Eu vivo os personagens. Já fui mocinha, bandida, vampira, fantasma, jovem, idosa, criança, homem, mulher (mas admito que o que eu gosto mesmo são dos vilões). Incorporo os personagens e vivo suas vidas. Então quando eu estiver lendo e não te responder, não ligue, neste momento não estou ali e sim vivendo a vida de outra pessoa. 
  • Não me ofereçam ou indiquem livros de auto-ajuda ou biografia. Não tenho paciência. 
  • Eu anoto os erros de digitação que encontro e algumas vezes mando para as editoras.
  • Tenho uma mania horrorosa de relacionar passagens de livros. Acabo que fico sempre na dúvida de quem copiou de quem ou a minha memória que presta para coisas que não devia. 

    Tipo assim :)
  • Meus livros são agrupados por autor e separados na minha estante pelos tipos definidos por mim: 1) histórias que poderiam acontecer (menos romance); 2) só romances; e 3) fantasia. Só que, agora não tenho mais espaço, então estou tendo que misturar e colocá-los no cantinho que der (dói no meu coração fazer isso, odeio bagunça. Tá... admito que odeio bagunça fora do meu guarda-roupa). 

  • Adoro criar monstrinhos. Eles são meus orgulhos (olhos marejados, pura emoção). São aquelas pessoas que não liam nada e agora me acompanham nas compras/leituras. Me sinto aqueles diabinhos que ficam no ombro incentivando-os a retirarem o escorpião do bolso (escorpião que fica sempre no meu bolso, pão-dura assumida que sou. Quer dizer, exceto quando falamos de bolsas – e livros, obviamente). 
  • Minha outra paixão é comprar bolsas. Quando fico em dúvida entre dois modelos, por exemplo, escolho aquela que cabe um livro dentro.
  • Sou meio Rory Gilmore. Sempre, sempre tenho um livro comigo. Quando vou ao shopping, por exemplo, se espero alguém sento e fico lendo (depois de dar uma vasculhada na livraria, claro), nada de ficar a esmo, olhando vitrines (esquecendo, é claro, o fato de que sempre estou atrasada).
  • Não entre em uma livraria comigo se não tiver disposto a ouvir frases do tipo: “esse autor escreveu este, e aquele livro”, “na internet, este custa tanto”, “cadê aquele livros, vi na net e quero saber se ele é grosso”, “me lembra o nome deste que quero olhar na net quanto custa”. E ai vai no mínimo 30 minutos. Se for comigo, tenha paciência.
  • Adoro dar livros de presentes. Muito mais difícil de errar com eles do que se arriscando comprando uma peça de roupa. Então, se alguém ai não quiser mais ganhar livros, me avise, ok?! E se quiser me dar, vou adorar =) Segue o link da minha lista de desejados no Skoob (e mandem o óleo de peroba para eu passar na minha cara junto).

Se você conseguiu ler até aqui, parabéns! Ou me ama muito ou está muito à toa. E cuidado, viu?! Essas manias pegam, não é meus monstrinhos?! (rs)

sábado, 4 de setembro de 2010

#20: A Dama das Camélias (Alexandre Dumas Filho)

Postado por Luciana Mara às 11:52:00 2 comentários Links para esta postagem
Sinopse: Armand Duval é um jovem estudante de Direito na Paris de meados do século XIX. Jovem recatado, vindo de uma respeitável família burguesa interiorana, apaixona-se por Marguerite Gautier, nada mais nada menos que a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros parisienses. Marguerite - vendida, corrompida, perdulária, amante de vários homens - corresponde ao amor do jovem, que provoca uma reviravolta na vida da jovem prostituta. Mas o futuro dos dois amantes enfrenta os mais rígidos obstáculos.

Comentários: Namorei este livro um tempão e finalmente o adquiri. Ele acabou furando a minha fila de leitura.

Logo de início, senti que ele poderia ter sido escrito pela Emily Brontë, exceto pelo papo de ser sobre uma cortesã (dã...), uma vez que o jeito que Dumas expõe a história e o tipo de narrativa (entre outros aspectos da história que prefiro não comentar) lembrou muito a do “O Morro dos Ventos Uivantes” (1847). Enquanto neste livro, a história de Heathcliff e Catherine é contada ao novo inquilino de Heathcliff, Sr. Lockwood, por sua governanta, Nelly, em “A Dama das Camélias”, é Armand Duval quem narra sua história com Marguerite ao Sr. A (não me lembro de terem citado o nome dele, então o chamarei assim o.O).  Tanto Sr. Lockwood quanto Sr. A. persuadiram seus interlocutores a contarem a história motivados exclusivamente pela curiosidade. Outra semelhança que percebi foi a constante alternância do tempo, ora presente, ora passado marcado por interrupções devido a doenças (oh povo que adoecia, viu?!).

A história inicia com um Sr. A. vagando pela cidade e tomando conhecimento de um leilão dos bens de uma cortesã que acabou de falecer de tuberculose. Após investigar, ele descobre que estes bens eram de Marguerite, uma jovem que sempre via, mas com quem nunca falava. Incentivado pela curiosidade, ele conhece os bens que seriam leiloados, e participa desse evento adquirindo um livro chamado “Manon Lescault” (1731), com uma dedicatória: ‘Manon a Marguerite, Humildade’ assinada por Armand Duval. Esta dedicatória o intrigou. Afinal, quem era Duval?

Certo dia alguém bate à sua porta. Era um rapaz loiro, alto e pálido. Ele estava desesperado. Após saber que haviam leiloado os bens de Marguerite, seu único desejo era adquirir qualquer coisa que tivesse sido dela, e ficara sabendo que aquele senhor havia adquirido um item. Além de dar o livro, Sr. A. oferece também sua amizade. E é entre idas ao cemitério, doenças e várias camélias que Duval começa a contar sua história.

No teatro, Duval foi apresentado à Marguerite, uma jovem famosa por sua ‘profissão’. Nesta ocasião, ela tira sarro dele e ele sai do camarote bufando. Dois anos depois, ele continua encantado por aquela linda mulher de saúde frágil e arruma um jeito de ser reapresentado. Desta vez, tudo foi diferente. E ela prometeu ser sua amante.

Imagine, o que um homem não é capaz de dizer a uma mulher quando ele está apaixonado e ela tem que se encontrar com outros? Pois Duval disse tudo isso (às vezes me dava vontade de socá-lo =P) e mais um pouco. Entre idas e vindas, entre discussões e amassos (não se empolguem, eles não são detalhados) Marguerite acaba se apaixonando, e, passando por cima de tudo eles resolvem viver esse amor. Até que alguém surge e novas decisões precisam ser tomadas. A partir daí, o amor recebe a máscara do ódio. Preconceitos, amor, dedicação e raiva são misturados, e seguidos por doença e morte.

Confesso que as cartas são de partir o coração.

E um detalhe importante, este livro foi publicado em duas versões, o romance mesmo (este que eu li) que foi escrito em 1848, e na forma de teatro (que eu comprei para mamys por engano, e que por causa dele, minha irmã quase se tornou filha única - mas já estou me redimindo: semana que vem a versão igual a minha chega). E a minha versão é da editora Martin Claret (que odiava, porque sempre eram delas os livros chatos que tinha que ler na escola) e custou baratinho, como diria o homem-cueca: '10 real mais o dinheiro do busão’ (apenas substitua o busão por frete – rs).

Livro super indicado!!!
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

TOC Template by Ipietoon Blogger Template | Gift Idea