sábado, 16 de outubro de 2010

#26: A menina que não sabia ler (John Harding)

Postado por Luciana Mara às 00:37:00
Sinopse: Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?

Comentários: Surpresa, choque, frustração, indecisão e por fim, dúvida. Estas foram algumas das sensações que senti quando terminei A menina que não sabia ler. Finalizei a leitura, fechei o livro e fui obrigada a refletir.

O meu engano foi tamanho que errei até no gênero do livro. Pensei que fosse fantasia, mas na realidade se tratava de um suspense.

Inicialmente, imaginei que Florence poderia ser uma prima distante da Mary (de O jardim secreto), da Lyra (da trilogia Fronteiras do Universo) ou da Maggie (da trilogia Mundo de Tinta). Ela tinha um pouco de cada uma dessas meninas: tinha um grande segredo, uma enorme imaginação, muita coragem e a paixão pela leitura. Mas sabe o que eu concluí? Que na verdade ela era irmã gêmea univitelina do Henry Evans do filme  Anjo Malvado.

A história é narrada por Florence, uma garota de 12 anos. Ela mora com o irmão e os empregados na mansão Blithe House. Sua mãe morreu no parto, seu pai se casou novamente e, desta união nasceu Giles. Um acidente de barco mata seu pai e sua madrasta. Flo e Giles eram tão pequenos que não se lembram do ocorrido e de como eram suas vidas antes deste episódio. As crianças passam a ser criadas pelos empregados e pelo (dinheiro do) tio, que nunca apareceu para visitá-las.

Em um dos passeios pela mansão Flo, encontra uma grande biblioteca. Era a descoberta de um universo novo. Entretanto, ela não tinha a chave (metaforicamente falando) para entrar neste novo mundo. Seu tio, frustrado com uma ex-namorada que se dedicou tanto aos estudos que o esqueceu e se casou com outro mais instruído, proibiu Florence de aprender a ler. E como tudo que é proibido é definitivamente mais gostoso, Flo juntou as letras e aprendeu a ler sozinha. Agora a prateleira mais alta era o limite.
 

A biblioteca foi sua grande companheira quando seu irmão foi enviado ao internato. Ela passava o tempo lendo escondida, sozinha. Então surge um vizinho, um garoto que há algum tempo havia lhe roubado um beijo em troca de uma poesia, Theo. Ele estava tendo crises de asma e seu médico sugeriu que fosse para o campo se restabelecer. Theo propõe visitar Flo todas as tardes, situação que ela não pode se opor. Isto a obriga a modificar seus hábitos de leitura. Seria necessário encontrar um lugar onde ninguém a visse, mas que possibilitasse uma visão completa de todos que chegavam a casa. Assim, ela descobre a torre, agora seu novo refúgio e onde esconde seus segredos.

Dentre estes segredos está a foto da sua família, que ela surrupiou do álbum de fotografias escondido a chave pela sra. Grouse, a governanta. Havia também a foto de uma senhora, com rosto recortado e uma criança no colo. Não havia legendas.

Seu irmão é liberado do internato e seu tio é instruído a arrumar uma preceptora. A sra. Whitaker começa a trabalhar na mansão. Florence acha que a preceptora não dá atenção e os ensinamentos que o irmão precisava. E para piorar, sua chegada mina as idas de Florence à biblioteca. Então, certo dia, enquanto as duas estavam de barco no lago a sra. Whitaker cai e Flo, com seus braços curtos e sem os remos, não consegue salvá-la. São diversos depoimentos e acompanhamentos, até que o delegado arquiva o caso.

Enfim, eram novamente apenas Florence e Giles.

Então, surge a Srta Taylor, a nova preceptora. Ela é rígida e ríspida com as crianças e com os empregados, mas consente e ajuda a camuflar o vício de Florence, a leitura. Mas Flo sente que, a preceptora tem um zelo excessivo pelo seu irmão e começa a procurar evidências de que ela quer sequestrá-lo.

Neste momento, fantasia e realidade se misturam. Flo, em uma das idas noturnas (na qual pretende simular que é mais uma crise de sonambulismo) vê um fantasma andando pela casa. Ela também vê a cena que tanto sonha: a srta. Taylor velando o sono do irmão. Ela passa acreditar que a srta. Taylor é um fantasma da sra. Whitaker e que, por isso ela pode enxergar tudo através dos espelhos da casa. Florence se sente coagida e constantemente vigiada. E em uma ida escondida ao quarto da srta. Taylor, Flo encontra duas passagens de trem para a Europa. Então, ela arquiteta um plano para resolver todos os seus problemas. Frascos, torre, chapéus e bombinhas de asma estão envolvidos em seu plano.

Em um primeiro momento, adorei as armações de Flo. Os métodos de contagem baseados em números de páginas lidas que ela criou para avaliar se Theo estava chegando obrigando-a a sair da torre, todo o esquema que ela bolou para invadir o quarto da sra. Grouse e da srta. Taylor. Foi tudo genial. Pensando friamente, as outras armações também foram bem boladas, muito bem boladas para uma garota de 12 anos.

Capa original
 Dúvida? Foi tudo o que restou após a leitura. Foram tantas perguntas sem respostas que me deixaram realmente intrigada. Os ‘como’ foram explicados, o problema foram os ‘porquês’. A verdade é que não gosto muito de coisas subjetivas. E o pior, foi que, por mais que eu procurasse respostas não encontraria porque na verdade, elas não existem. A impressão que tive foi que o autor nos contou uma história, a vida de Giles e Florence na mansão, não explicando os problemas/motivos/acontecimentos com os outros personagens porque simplesmente este não era seu objetivo (tanto acho isso que o título original do livro é Florence and Giles).

Já havia algum tempo que eu namorava este livro. A capa tinha me conquistado (até mais que a sinopse, admito). Então foi só esperar umas promoções, uns progressivos e o adquiri. Sei lá o porquê, mas demorei um pouco para lê-lo. Talvez fosse a esperança de estar guardando o mais gostoso para o final (tenho uma enorme mania de fazer isso com comida, deixo o mais gostoso para comer por último, mas estou sempre tão satisfeita que: 1) ou não consigo comer a parte mais gostosa ¬¬, 2) Como sem sentir o prazer que esperava. Tenho consciência disso, mas infelizmente, alguns hábitos são imudáveis - shakesperizei, assim como a Flo!).

O final da minha lista não chegou, mas concluo que este livro não foi o mais ‘gostoso’. O defino como único. O único que não consegui classificar. Confesso que gostei, mas continuo sem conseguir dar uma nota. Quanta dúvida!

 Onde comprar: Saraiva, Submarino

11 comentários:

ʆɛtíciɑ iɑucɦ รwiԲt disse...

Oi!
Eu também fiquei assim quando terminei minha leitura de "A menina que não sabia ler".
Até que um dia desses eu conclui que talvez o autor quisesse nos dar espaço para imaginar os porquês. Isso foi muito chato mesmo, mas talve tenha sido isso, né.
Eu também gostei do livro mas, realmente, quando agente acaba de lê-lo, um grande ponto de interrogação aparece em nossas cabeças rsrs

Bjoos'
Lee Iauch
ϟ●•Giяl's•●ϟ

Dri disse...

Oi, Lu!

Eu adoro suas resenhas, são sempre originais e levantam alguma questão do livro que ninguém imaginou.

Adorei sua comparação de Florence com outros personagen e a descoberta de quem é na verdade seu irmão.

Com tantas séries por aí, adoraria se esse livro fizesse parte de uma trilogia. Tem muita história para se desenvolver e outras por vir, por exemplo, o que acontece com Florence e Giles.

Concordo com você, acho que o objetivo do autor foi exatamente isso: contar uma história.

Beijos!

Cíntia Mara disse...

Uau... Eu comprei esse livro na Bienal, mas ainda não li. Pelas resenhas que já vi, parece bem forte. Eu também não sabia que era suspense quando comprei. Agora que você citou Anjo Malvado, sei não, rs. Eu sou tão medrosa que aluguei esse filme quando era criança e não consegui assistir.

Bjos

Carol disse...

Confesso que não imaginava nada disso com relação a esse livro. Com certeza também me surpreenderia.
Acho que vai valer a pena eu tentar!
bjinhos

Gisele Amanda disse...

Concordo plenamente com o fato de terminar o livro e ficar uma grande interrogaçao .... a leitura é muito gostosa e li mto rápido.... de mocinha a anjo malvado!

Anônimo disse...

OMG, á pouco tempo estava muito interessado para ler, ADOREI A SINOPSE (e a capa *-*) SAUHUASH. Mas eu agora fiquei assustado, ODEIO TERMINAR UM LIVRO COM DUVIDAS, mas se a intensão é só mesmo contar uma história, então que seja... Eu vou ler. E vou especular até achar tirar minhs propias conclusões sobre o livro. =D

Aline disse...

Eu adorei esse livro! Você já leu A Volta do Parafuso de Henry james? è bem nesse estilo.
Eu gosto desses livros que deixam o leitror assim pensando nele horas depois...
resenhei ele no meu blgo também.

http://alinenerd.blogspot.com/

Daniela Guimarães disse...

Sua resenha me deixou muito, mas muito, muito curiosa.
Conversando com a Fê Nogueira sobre o livro, ela me sugeriu "consultar" o TOC para me decidir sobre o investimento. Comprei!
Passo depois pra contar o gosto que teve pra mim!
:-)

Anônimo disse...

oiiii gente, então fui nas lojas americanas, para comprar algo, e estava olhando os livros, quando vi esse em questão só pela capa já me interessei , quando li a sinopse ainda mais..
terminei hoje o livro, foi surpreendente li muito rapido.Achei muito interessante e suspense é o que mais tem...fiquei muito curiosa para chegar ao final do livro e descobrir as respostas das minhas duvidas e entender a historia...
e finalmente no termino a principio fiquei chateada por ter ficado com muitas duvidas em relação ao livro..mas estou até agora refletindo sobre e talvez estamos acostumados com a ideia do final ser sempre o que desejamos que fosse e talvez a idéia do autor fosse deixar algumas coisas no ar para que refletissimos e buscassemos um final mais adequado ao que cada um imagina..Não sei...mas enfim recomendo independente do funal é um bom livro e misterioso o conteúdo...rs abraço a todos kika.sena

Anônimo disse...

Quando comprei o livro pesquisei na internet e um blog falou que ele era muito ruim . Mais quando começei a ler fiquei muito viciada . Estão quase acabando o livro .E estou amando !

dane disse...

melhor livro da minha vida!

Postar um comentário

Obrigada pelo comentário!
Deixe seu endereço para eu retribuir a visita ;)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

TOC Template by Ipietoon Blogger Template | Gift Idea