sexta-feira, 14 de outubro de 2016

#132: After (Anna Todd)

Postado por Luciana Mara às 23:00:00 0 comentários Links para esta postagem
Vamos começar este texto pelo assunto mais importante: comprei um Kindle. #Tôapaixonada

Apesar da resistência inicial que tinha com os e-readers, porque sempre fui daquele grupo de pessoas que ama cheiro de livro novo e precisa pegá-los nas mãos, os lançamentos do Brasil e a curiosidade por histórias que poderiam não ser boas a ponto de eu querer tê-las na estante, foi mais forte.

E desde que realizei a compra, sabia que a primeira leitura seria After. 


Você me acompanha no Skoob? Se sim, já sabe o quanto enlouqueci lendo estes cinco livros em uma semana.

Aí você me pergunta: PQP! Então a história é muito boa? Você me recomenda?
Aí eu te respondo: Não. Não recomendo nem para o meu pior inimigo, porque a série é uma droga, no sentido tóxico mesmo da palavra, definitivamente é uma droga reencarnada em formato de livro. Você sabe que é uma coisa ruim, que vai te fazer mal, mas por algum mistério do universo, não consegue largar.
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After conta a história de Tessa Young, uma garota de 18 anos que está começando o curso de Letras na faculdade. Ela veste roupas conservadoras, é dedicada aos estudos e namora seu melhor amigo de infância há dois anos. E tudo seria perfeito se ela não dividisse o quarto no alojamento da faculdade com Steph, uma garota cheia de tatuagens e cabelo de fogo, que só gosta de festas e tem um amigo mais doido que o outro.

E entre estes amigos está Hardin. Despenteado, maluco, tatuado e desbocado. Ele é o tipo de pessoa que a mãe da garota abominava, e consequentemente, ela aprendeu a abominar também.

Tudo que Tessa não precisava era complicar sua vida se envolvendo com ele. Mas como resistir, se Hardin não dá folga?
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E aí, vamos para a avaliação dos itens quase obrigatórios de todo New Adult (NA):

  • Mocinha inocente, que quer aproveitar as novidades da vida? Ok!
  • Bad boy da pior espécie? Ok!
  • Cenas proibidas para menores? Ok!

Tudo estava ok, dentro do esperado do gênero, até que conheci melhor o mocinho. Sabe um dos personagens do último livro que resenhei e que não vou citar mais pra não botar mais lenha na fogueira HAHA? Então, o Hardin é pior. Pior à 1094057870315 potência.

Ele é um ogro, arrogante, desrespeitoso e idiota. Sério, do fundo do coração: gostaria de saber o que as garotas pensam ao suspirarem por histórias assim! Histórias com ciúmes excessivo, porrada aos quatro ventos por nada e um cara que engana a mocinha todo capítulo! Um cara que faz a mocinha de trouxa durante QUATRO LIVROS INTEIROS!!!

Recebi congratulações dos meus companheiros de Skoob quando finalizei a série porque eles acompanharam meu sofrimento. Minha raiva do Hardin chegou até Netuno!

Nenhum trauma do passado justifica os atos dele. Sério, se eu fosse a Tessa, esse cara já tava capado e morto, mas antes claro, ralaria sua cara num muro de chapisco! Nada me faz aceitar o tipo de relacionamento deles. Toda vez que uma briga acontecia, só lembrava da música Treat You Better (Shawn Mendes). Como alguém consegue viver num relacionamento abusivo? E o pior: como as pessoas conseguem ler e invejar histórias assim?

Eu AMO NA e em momento algum suspirei pelo mocinho. Ficava doida é para a Tessa beijar o Landon, o melhor amigo dela.

Ilusão nenhuma de amor me permite aceitar viver a vida assim, viver com medo de:

  1. Você perder a pessoa por motivo idiota;
  2. Você fazer/dizer/pensar alguma coisa que machuque a outra pessoa. Pisar em ovos o tempo inteiro deve ser aterrorizante.

São quatro livros de brigas, sexo, desentendimentos, idas e voltas chatas. Foram quatro livros que fiquei com vontade de jogar na parede, mas não joguei por motivos óbvios (era Kindle, não livro físico).

Talvez, se a história fosse contada em 3 livros e não em 5, a história poderia ganhar mais uma estrela do que as 3 que dei no geral, porque surpreendentemente Braseel, o último livro foi muito bom. Muito mesmo. Fiquei pensando como a autora conseguiria sair da bola de neve que ela se meteu no livro final e fui positivamente surpreendida porque ela fez o que eu esperava desde o início: que a Tessa criasse juízo e pensasse em si mesma. E outro fator importante: tempo. Se o tempo não resolve as coisas, pelo menos permite que você as avalie corretamente.

A história só melhorou quando Tessa decidiu dar um basta. E esse basta foi a solução para todos os problemas. Mas a história cansou. Cansou, até que melhorou. E quando melhorou, acabou.

Todo livro acaba num meio de uma cena chocante (e algumas vezes bem previsível. A Anna precisa aprender a criar situações que surpreendam o leitor) e por isso, li tudo em sequência e também porque minha memória é horrível e se eu não ler séries em sequência, corro o risco de esquecer a história.

Os livros foram escritos inicialmente como um fanfic no Wattpad com os personagens do One Direction e vou confessar uma coisa: se eu fosse o Harry Styles (cantor que a Anna Todd se inspirou para fazer o Hardin), eu processava essa mulher!

A série inicial é composta por 5 livros. Há um ainda (Before) que conta a história pelo ponto de vista do mocinho que de mocinho não tem nada. Estão sendo lançados lá fora outros dois livros contando a história do Landon, o que acho bem apropriado porque a autora deixou um grande mistério no último livro e ele é um fofo

Ahhh... e a história vai virar filme
Ainda estou tentando entender o que eu acho dessa notícia. 

Espero me desintoxicar dessa droga em breve. 
E crianças, fiquem longe disso, ou vocês só conseguirão ficar livres depois de muitos entorpecentes. 

sábado, 1 de outubro de 2016

Trecho de "Tudo o que poderia ter sido"

Postado por Luciana Mara às 12:00:00 0 comentários Links para esta postagem

Aos seis anos, assim que Luísa aprendeu a escrever, fez uma lista no diário que acabara de ganhar de presente de natal da avó.
Ela fez a lista dos seus cinco maiores medos.

            1- Perder seus pais
            2- Aparecer de pijama na escola
            3- Ficar sozinha
            4- Brigar com o Augusto
            5- Barulho do vento

Aos dez, enquanto pensa na lista que ano após ano repete na primeira página da sua nova agenda e escuta o uivo do vento, a garota ouve batidas na janela do seu quarto.
O medo de número cinco tenta persuadi-la de se levantar e atender ao chamado.
O medo de número quatro a faz jogar o lençol no chão imediatamente e caminhar até a janela.
Seus pais saíram para comemorar o aniversário de casamento e Luísa ficou sozinha em casa. Ao mesmo tempo que ela queria dar um pouco de privacidade aos dois, a garota queria terminar de assistir o final do seu filme preferido.
O que ela não esperava é que o medo número três junto do medo de número cinco a fizesse se arrepender daquela decisão.
– Poxa, Lu! Achei que você fosse me fazer congelar aqui fora. – Augusto diz assim que a janela do quarto é aberta.
Augusto, ou Guto, como prefere ser chamado, é seu vizinho desde que os dois eram bebês. Luísa é um ano mais velha que ele, mas quando os dois estão juntos, não se percebe essa diferença.
Guto é o seu melhor amigo. Os dois estudam na mesma escola e por isso, é Guto quem garante a ela todas as manhãs que o medo de número dois não irá ocorrer.
O garoto passa uma perna e depois a outra na janela do seu quarto, batendo o queixo de frio, pela temperatura lá fora. A janela é fechada e ele esfrega as mãos nos braços com todos os pelos arrepiados, na intenção de aquecê-los.
– Você está sozinha, né?! – Augusto pergunta assim que para de bufar.
– Estou, como você sabe?
– Passei na garagem antes de bater na janela e o carro dos seus pais não está lá. Contornei a casa e só a janela do seu quarto está com a luz acesa. – Ele coça a cabeça enquanto pergunta. – Está com medo? Quer que fique aqui com você?
Augusto sabe de todos os seus medos. Não existem segredos entre eles. O garoto fez sua própria lista uma vez e o único item em comum era "Medo de brigar com a Luísa".
Ninguém entendia porque os dois eram tão grudados. Talvez fosse a obsessão da garota por jogos de tabuleiros e não por bonecas, assim como a obsessão do garoto por jogos de tabuleiros e não por carrinhos.
Luísa tem uma irmã mais nova que está dormindo na casa de uma amiga de escola e Augusto tem três irmãos mais velhos. Ela o inveja por isso todos os dias. A garota não se dá muito bem com sua irmã. Júlia é uma pirralha de sete anos que só sabe pegar no seu pé, garante Luísa a todos. 
Apesar do que Luísa acha, os irmãos de Guto não 100% maravilhas com ele. O garoto cansou de ser enxotado pelos irmãos e resolveu se refugiar com a vizinha, sua melhor decisão. A partir de então, os dois se tornaram inseparáveis, tipo Batman e Robin.  E, nessa questão, o medo número quatro acaba ocorrendo frequentemente, porque eles não conseguem decidir quem é o chefe e quem é seu fiel ajudante.
Os pais de ambos avisaram que a porta da frente estava sempre aberta para receber o outro, que não precisava nem bater, bastava entrar. As casas dos dois ficam lado a lado, em um condomínio fechado que permite que não seja necessário passar a chave na tranca da porta 24 horas por dia.
Apesar da permissão de entrada sem limites, os dois gostam mesmo é de pular a janela e fazem isso o tempo inteiro.
Então, quanto Guto ouviu o barulho do vento, saiu de pijamas do seu quarto pela janela, atravessou o quintal que divide as duas casas e bateu na janela do quarto da vizinha.
– Você quer jogar alguma coisa para esperar o tempo passar?
– Ai Guto, não quero não. Qualquer jogo que jogarmos você vai ganhar, porque não consigo me concentrar. Você sabe como eu sou competitiva.
E o garoto sabia mesmo. Tanto que algumas vezes deixa Luísa vencer para não evocar o medo número quatro.
– Tenho uma ideia. Vamos ouvir música? – O garoto pergunta assim que vê os fones de ouvido de Luísa em cima do seu criado mudo.
Recentemente, Augusto descobriu uma nova paixão: rock pesado. Até pediu aos pais de presente de natal uma guitarra. Ele garantiu que aprenderia a tocar sozinho, auxiliado por vídeos na internet e de revistas de banca.
Seus pais cederam ao desejo do filho, apesar do desespero dos três irmãos mais velhos que diziam que como músico, Guto era um ótimo escritor.
A obsessão era tanta que em toda oportunidade, Guto fazia Luísa ouvir a sua playlist do momento. Sua intenção era fazer com que a garota se apaixonasse por música e o acompanhasse aos festivais que ocorrem na cidade, assim que eles tiverem idade suficiente para frequentá-los.
Luísa aceita a proposta.
Não porque estivesse querendo ouvir músicas.
Não porque não quisesse brigar com Augusto.
A garota aceita a proposta porque não quer ouvir o barulho do vento.  
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Brincando com intertextualidade, rs. 
Este é um trecho do livro citado em Tudo o que poderia ter sido.
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